Na quinta-feira, 20 de maio, o advogado Marco Túlio de Rose participou, como mediador, do seminário “Direitos da Natureza e Ecologia Integral: da natureza-objeto à natureza-sujeito em um contexto de crise ecológica e injustiça social”. O evento foi organizado e promovido pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), e teve transmissão ao vivo pelo YouTube.

Jair Krischke, presidente do MJDH,  iniciou lembrando que o Movimento sempre trouxe a temática do meio ambiente para a pauta, como ocorreu na entrega do 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, cuja temática foi “Futuro ameaçado: a mortandade das abelhas”, destacando a natureza como sujeito de direito. Em seguida, Dom Jaime Spengler, arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre, ressaltou o esgotamento dos recursos naturais como ponto de partida da discussão.

José Renato Barcelos, advogado, mestre em Direito Públi­co, especialista em Direito Ambiental Nacional e Internacional e conselheiro do meio ambiente, apontou a erosão da biodiversidade e a perda das espécies como um impacto inegável, que exige que a humanidade repense sobre a existência. Em sua fala, enfatizou a psicologia climática como modo de reposicionamento ético das ações humanas. Marco Túlio de Rose, sócio da De Rose Advogados e mediador, complementou ao afirmar que a relação do homem com a natureza deve fugir do modo “dominador” e passar a ser “elemento integrante”.

Jean Roque Junges, filósofo, mestre em Teologia pela Universidad Católica Del Chile e doutor em Teologia Moral, na Itália, destacou a importância de ajustar as lógicas presentes na sociedade de hoje, explicando que a natureza deve ser o limite para os processos econômicos, o que não ocorre no atual modelo baseado no consumo. Junges elucidou que a preocupação deve abranger o ecossistema como um todo, em vez de focar em discursos superficiais que visam salvar uma única espécie. Enfatizou, também, que a educação ambiental é, primeiramente, uma atitude mental e de mudança na perspectiva consumista.

Germana de Oliveira Moraes, professora emérita da Universidade Federal do Ceará, ex-juíza de Direito Federal, 5ª Região, mestre em Direito e doutora em Ciências Jurídicas Políticas pela Universidade de Lisboa, em Portugal, defendeu os posicionamentos adotados pelo Papa Francisco no que tange à nova ética da relação com a natureza. Exemplificou como os povos originários percebem a movimentação da lógica de consumo e degradação, trazendo para o debate o desafio de consciência, a visão científica do ocidente sobre os direitos da natureza e a crise na evolução, que atinge a todas as etnias.