Por Marco Túlio de Rose

Sou mais um a rebater com indignação e veemência certa publicação nas redes sociais que transformou o Poeta Mário Quintana em um quase-mendigo. Trata-se de mais um dos tantos fakes, provavelmente motivados pela vontade de colecionar “likes”, compulsão narcisista tão em moda.

O fato noticiado, em relação ao inesquecível Poeta, é absolutamente falso. Mário Quintana nunca esteve com as malas na calçada, nem o grande Paulo Roberto Falcão dali o juntou ofertando-lhe hospedagem. E o que digo não é porque eu acho, mas pelo que sei por experiência, como advogado que honrosamente fui do Poeta, nos episódios que cercaram sua saída do Hotel Majestic e em todos os posteriores fatos que lhe propiciaram um certo conforto daí por diante.

Mário Quintana era, sem dúvida, um homem pobre, mas jamais esteve num estado de miserabilidade como a notícia fake lhe caracterizou. Sempre poderia residir com sua zelosa sobrinha e herdeira Elena Quintana e, na época que aceitou o convite de Pedro Falcão, não estava em situação que não lhe permitisse custear um hotel.

O poeta, acima de tudo, tinha um imenso pudor pela sua simplicidade econômica o que lhe motivou o ingresso na Justiça contra a filmagem do seu modesto quarto no Hotel que hoje é a Casa de Cultura com seu nome. Por isso, a notícia falsa é profundamente difamatória de sua memória.

Cito como testemunhas do que falo a dedicada assessora do poeta Sandra Ritzel, a jornalista Dulce Helfer e Ênio Lindembaum, incansável publicitário que tanto ajudou Quintana.