Livro de Marco Túlio De Rose, “Afinal, Monteiro Lobato era Racista” passa a integrar o acervo da Library of Congress, em Washington
12/03/2026 às 10:48
O livro escrito por Marco Túlio De Rose e lançado na última Feira do Livro de Porto Alegre, intitulado “Afinal, Monteiro Lobato era Racista” passa a integrar o acervo da Library of Congress, em Washington/EUA.
Marco Túlio relata aqui um pouco sobre sua obra e os motivos pelo qual desenvolveu este tema tão atual:
“Na primeira década do século XX, Monteiro Lobato escreveu carta com conteúdo racialmente ofensivo aos afrodescendentes brasileiros. No mesmo período, evidenciou simpatia pela ideologia eugenista, passando, ao longo dos 20 anos posterio- res, por algumas variáveis desta hoje quase supera- da (e odiosa) concepção. Alguns adjetivos pelos quais qualificava a Tia Nastácia também foram arrolados como elementos de convicção.
A pergunta, a partir destes fatos, que há quase
20 anos frequenta estudos e mesmo ações judiciais é uma só:
Afinal de contas, Lobato era racista?”
O autor deste livro procura responder a esta indagação, que tem sua importância diretamente proporcional à enorme influência que o autor estu- dado exerceu e talvez ainda exerça sobre gerações de brasileiros. O ensaio que produziu, que abrange os fatos sobre o qual foi montada a acusação, é totalmente baseado no pensamento e nas obras de Monteiro Lobato, adulta e infantil.
Seu autor não foge dos fatos, que servem de apoio tanto aos defensores de um lado quanto aos do outro. Apenas que, para responder à pergunta, coteja a resposta afirmativa (era racista) com o que chama de visão abrangente da obra lobatiana sobre suas manifestações expressas.
Ao final, faz parte da sua natureza, o autor não se furta de opinar, ainda que entendendo que sua opinião vale menos que o estudo realizado nas opiniões expressas, ao longo de toda a sua vida, pelo criador de Emília de Rabicó.
Declara, de início, seu lugar de fala. Voraz leitor, desde seus cinco anos até hoje, do réu da acusação, considera que pode avaliar o pensamento do escri- tor com a mesma lucidez compreensiva de um filho que analisa os eventuais defeitos de seu pai e mãe.
Com olhar indulgente, mas lúcido e racional.
A palavra derradeira, a esse respeito, ficará com os leitores.
“Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é país perdido para altos destinos.
André Siegfried resume numa frase as duas atitudes: ’Nós defende- mos o front da raça branca – diz o Sul – e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil’. Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa desta ordem que man- tém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da impren- sa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva.”
“Nosso problema não é político, nem racial, nem climatérico, mas pura e simplesmente econômico. Enriqueça-se a mais miserável família de jecas que vive lá num fundão malárico do Amazonas, gente sem resquícios de cultura, seminua, roída de verminoses, negativa como elemento de produção – e, automaticamente, no correr do tempo, a metamorfose será completa. Os doentes se curarão, os descalços se calçarão, os iletrados se educarão, e o país se verá acrescido de enérgicas unidades positivas.”
“A grande coisa da Bahia é o negro, e das manifestações da civiliza- ção negra, tão profundamente africana, o candomblé é o produto supremo.”
“O que salva a Bahia é o negro que formou uma civilização muito mais séria e rica que a do branco. Uma civilização com religião própria, e medicina própria, etc. etc.”
Monteiro Lobato escreveu essas opiniões. Estudos, ações judiciais e “cancela- mentos” políticos têm ora defendido, ora acusado o criador do Sítio do Picapau Amarelo. Marco Túlio de Rose procura, neste livro, colocar o pensamento lobatiano no tempo e espaço de sua obra e de seus pronunciamentos, para deixar os leitores aptos a responder, com suas convicções, a esta pergunta:
Afinal, Monteiro Lobato era racista?
A obra já está catalogada na Library of Congress. Confira no link abaixo:
https://search.catalog.loc.gov/instances/feed375c-36ce-42a1-98d3-f8bc051bca4e?option=author&pageNumber=1&query=De%20Rose%2C%20Marco%20T%C3%BAlio&recordsPerPage=25