Mensagem a Garcia: Rowan serviria de referência (repaginada) nos dias de hoje?

Por Clarice Ledur

02/04/2026 às 10:48

Mensagem a Garcia: Rowan serviria de referência (repaginada) nos dias de hoje?

     Uma mensagem a Garcia. A história é conhecida, mas vale relembrar. Em 1899, o escritor norte-americano Elbert Hubbard publica um ensaio no periódico The Philistine, de pequena circulação, narrando um episódio da guerra entre Espanha e Estados Unidos, ocorrida um ano antes em decorrência da intervenção americana no movimento de independência de Cuba, até então uma colônia espanhola.

 

     O conflito durou apenas dez semanas e teve um desfecho favorável aos americanos, que assinando o Tratado de Paris, passaram a ter certo controle sobre Cuba, além de terem recebido por cessão Porto Rico e Guam.

 

     Neste cenário, era fundamental aos norte-americanos se comunicarem com o líder dos insurretos, o general Calixto Garcia, com paradeiro desconhecido. Era sabido apenas que se encontrava em algum lugar do sertão cubano, de difícil comunicação.

 

    Por seu perfil, coube a um oficial, chamado Rowan, a tarefa de entregar uma carta com orientações a Garcia, com informações essenciais para o êxito norte-americano.  Sem qualquer esclarecimento sobre a pessoa, localização ou motivos, o oficial tomou a carta em suas mãos e partiu, sem nada questionar. Depois de muito andar, cruzando o mar em uma rústica embarcação, desembarcou em Cuba numa noite escura. Cruzou o país, passou por inúmeras dificuldades, batendo de porta em porta, de lugarejo em lugarejo, até cumprir sua missão, sem queixas ou perguntas.

 

   Em seu ensaio, Elbert Hubbard exalta Rowan como uma pessoa determinada, resiliente, cumpridora de seus deveres. Durante muito tempo, o exemplo tabulou comportamentos do gênero como sendo ideais para colaboradores que desejassem crescer em uma organização, ou seja, cumprir suas tarefas acima de qualquer coisa numa exaltação à obediência.

 

   Os tempos mudaram, vivemos uma época de transformações, onde a tecnologia fala alto, a impaciência e a intolerância andam lado a lado. O que vale é o imediatismo, a rapidez, a comunicação reduzida a siglas. Ao olhar para o lado, o que ouvimos são queixas de pessoas em busca de prestadores de serviços, colaboradores, principalmente comprometidos com suas empresas e obrigações.

 

    Sem radicalismo, será que não precisaríamos de muitos Rowans hoje? Claro que não submissos, talvez mais questionadores, mas ainda assim, comprometidos. O enaltecimento de quem cumpre missão sem questionamentos, evidentemente não se adequa aos novos tempos. Rowan talvez tenha sido uma referência em tempos passados, mas talvez ainda possa ser uma referência repaginada. O cotidiano das organizações talvez agradeça. Vale a reflexão!