Somos de parecer – editorial escrito pelos sócios

No julgamento que concluiu pela suspeição do ex-Juiz Federal Sérgio Moro (habeas-corpus 1644493), provavelmente haja passado despercebido um momento, que por inusual, é aqui ressaltado. Falamos do instante em que o Ministro Gilmar Mendes se emociona ao referir o trabalho, sem dúvida brilhante e incansável, dos defensores do ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Aos que não sabem, cabe comunicar que advogados têm sentimentos e sofrem com as críticas, não as profissionais, que são do ofício, mas as pessoais, mormente quando injustas. Cristiano Zanin e Valeska Martins padeceram o diabo nas mãos da imprensa,  por fazerem (e pelo resultado até agora muito bom) seu trabalho. Censuras que vieram de algumas divisões judiciárias que extrapolaram o campo técnico. Mais ainda: tiveram sua intimidade profissional (quiçá a pessoal) devassada, por impulso direto dos seus antagonistas nos processos Lava–Jato, em iniciativa que faz cogitar de abuso de poder. Quando isto ocorreu, quando suas escutas telefônicas ficaram vigiadas, não nos recordamos que a sua Ordem profissional, a sempre prestimosa Ordem dos Advogados do Brasil, lhes haja defendido.

Advogados têm causas simpáticas e antipáticas, aos olhos desta Madame volúvel que é a Opinião Pública, que, recordemos, chamada a escolher entre a prisão de um bandido e a penalização de um profeta, preferiu libertar Barrabás e crucificar Jesus Cristo. Suas defesas, no entanto, quando autênticos operadores do Direito (os episódios atuais estão mostrando que autênticos operadores são os que não misturam interesse político com desempenho profissional) são idênticas, com os meios e os recursos que a Ordem Legal permite.

Advogados, em suas causas rumorosas, são como bons atores, um dia heróis, outro vilões. Devem, portanto, serem considerados da mesma maneira. Ninguém odeia, por exemplo, Leonardo Di Caprio quando representou o psicopata assassino da Ilha do Medo, ainda que não seja tão apreciado quanto foi em Titanic. Homenageia-se, isto sim, o grande ator pela versatilidade.

Assim deve ser com os advogados. E assim Gilmar Mendes fez Justiça aos doutores Cristiano e Valeska. Pela sua autenticidade profissional num combate contra, com todo o respeito, oponentes não tão autênticos.

Brasília – DF, 25/06/2019.O advogado de defesa do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, faz a sustentação oral de habeas corpus em que inclui a denuncia de suspeição do ex-juiz Sergio Moro no julgamento do processo do triplex que condenou Lula. Senador Humberto Costa, líder do PT no Senado, assiste a Segunda Turma da Corte pautar e julgar o pedido da defesa do Presidente Lula. Foto: Roberto Stuckert Filho